Se quiser, venha comigo. Vou lhe contar uma história. Vou lhe mostrar uma coisa...

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Aos que têm coragem de partir e voltar

"Um dia, quando você menos esperar
Eu vou voltar sorrindo
Como se nada tivesse acontecido"
                                        CAZUZA


  Desde criança, nunca consegui assimilar partidas. Lembro de ver minha mãe chorando ao se despedir de minha avó, que iria pra Recife e voltaria apenas em um ano. Me recordo de olhar aquela cena com espanto. Pra mim as pessoas nunca partiam. Sempre existiria a volta. Minha avó voltou como previa. Ela volta quase todo o ano e minha mãe continua chorando toda vez que ela vai pra casa.

  Ao longo dos anos tive muitas perdas. Vi muitas pessoas chegarem e muitas se despedirem. E mesmo depois das despedidas, continuava com aquele sentimento de que não era definitivo. Nunca queremos acreditar que a vida passa, as situações mudam, as pessoas se vão.

  Até que um dia EU me perdi.

  As coisas pararam de fazer sentido e eu buscava em tudo uma explicação. Porque nunca achava justo ter que ficar sempre aqui, assistindo todos partirem. Enquanto me lamentava, afastava as poucas pessoas que ainda insistiam em estar comigo. Até que um dia restou apenas eu. Aquele eu que ainda estava perdido.

  Poderia ser uma história de superação ou um relato de como consegui vencer uma grande parte dos meus medos e dores que me impediam de me sentir bem. Não é necessário. Apenas aprendi que um dia vou partir também. Assim como parti da vida de pessoas que me amavam, quando me afastei para não sentir mais dor.

  Ainda bem que continuo acreditando que nenhuma perda é definitiva. Foi isso que me trouxe de volta. Não vale a pena sofrer, meu amor! De tudo o que eu passei, essa foi a única lição.

   Então EU VOLTEI!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

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     "Me ensinaram que não deveria cobrar palavras a quem decide pelo silêncio, ou pra quem se faz ausente sem nenhum discurso plausível. Me ensinaram que eu devia ser forte sempre, e arranjar formas de continuar, fingir que nada aconteceu. Me ensinaram que o mais sensato é esperar, aguardar, ter paciência. Mas eu nunca consegui aceitar as coisas que não compreendo. Não existe sensatez quando todas dúvidas a perturbam. Não existe sensatez quando você fica inventando mil justificações pra pessoa ter se afastado. Toda sensatez se desfaz quando você se faz perguntas repetidamente e você mesma é que as tem que responder. Sensatez nenhuma embala teu sono quando chega a noite e o silêncio grita na sua cabeça todas aquelas coisas que ficaram por se dizer. Por isso sou viciada em palavras, sou apegada a diálogos, a verdades ditas sem rodeios, compreendo apenas o que foi dito, e não o que ficou por dizer. Não quero ler sinais, não quero procurar um entendimento sozinha, não quero inventar um fim solitário sendo que a história inteira foi vivida em conjunto. Quero que me diga, que me mostre, que me repita se puder, explique as razões de tudo que estiver acontecendo, mesmo que eu já esteja vendo"


— Autor Desconhecido

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

...


            Tudo o que ela queria agora era ocupar a mente o máximo de tempo, tentar não pensar. Esperar nunca foi tão difícil, tão torturante. Ter tempo é o problema. O problema sempre foi o tempo: o tempo demais. Saía sem rumo quase todos os dias, inventando um desculpa para não ficar em casa. Caminhava pelas ruas sem encontrar um lugar para ficar. Tentou procurar emprego, mas foi o caminho todo chorando. Ninguém contrataria uma garota com o rosto todo borrado de rímel. Voltava do meio do caminho. De alguma forma, ficar em casa acabava se tornando o único refúgio. O pior eram os amontoados de lembranças que estavam naquele quarto, naquele sofá, naquele mural de fotos, naquele violão com uma corda a menos, naqueles dvds espalhados sobre o móvel... Parecia estar sendo torturada pela própria vida. Como chegou a esse ponto? Como se deixou levar tão longe? E nunca odiou tanto as palavras como naquele momento. Porque por mais que tentasse se concentrar em algo, aquelas malditas palavras pulavam em sua frente para estragar tudo e lhe conduzir novamente aquelas lembranças. Por que tinha que ter lido aquilo? Por que? PORQUE É A VERDADE! Custava aceitar. Tinha prometido não chorar mais. Quando se via, estava digitando por cima de um teclado molhado de lágrimas. No começo se achava completamente idiota, mas com o tempo foi percebendo que deu tudo o que poderia dar, tentou de todas as formas possíveis, se entregou de todas as formas. Não era hora de fraquejar agora! Ela iria ser forte, iria suportar o tempo, iria aguentar a dor que a sufocava a cada dia. Superaria as noites de insônia, as lágrimas que teimavam em sair o tempo todo, a falta de fome e de fazer qualquer coisa. Ela só queria ainda achar graça nas piadas que ouve. Queria poder ainda acreditar em alguma coisa. Sabe aquela sensação de que você vai "se ferrar" quando começa algo que sente que não vai ter controle? Pois é. Essa era a confirmação.

Essa é a parte da minha vida que chamo de decepção...




terça-feira, 31 de julho de 2012

Era uma vez um unicórnio de pano...


Desaprendi a escrever aqui. 
Desaprendi a escrever em qualquer lugar que seja. 

           Tentei diversas vezes começar a escrever algo, mas as palavras não gostam mais de mim. Não tenho mais paciência pra dizer o que sinto, o que penso, o que está se passando. Talvez eu tenha, mas não consiga. Talvez eu consiga, mas não queira. Nem sei mais o que sinto ou deixo de sentir. Não sei mais desenhar como antes. Não tenho mais paciência pra assistir um filme inteiro. Não sei me expressar. Não consigo superar algumas dores. Não consigo me livrar de certos pensamentos. Abandonei "meu unicórnio" como abandonei partes de mim por aí. Como pesos que fui deixando no caminho para que pudesse continuar a viagem. Coisas que pesavam demais para serem carregadas. Pesos que eu criei, eu alimentei, eu fiz crescer e depois não conseguia soltar. Eu acho que estou ficando velha! Acho que me perdi junto com tudo isso. Porque não é fácil ter um dia normal quando se passou a madrugada inteira acordada pensando em todas os absurdos do mundo. É sentir-se ridícula por querer ter controle das coisas incontroláveis e o entendimento de sentimentos que não são seus. Talvez eu esteja doida! Talvez eu me tornei assim. Talvez eu nasci assim. Talvez... Talvez... Talvez... Escrever exige pensar. Pensar exige muito. E não estou apta a me sentir cobrada. Não agora. Porque a cada palavra que tento expressar torna minhas frases mais curtas. E dias longos e frases curtas não combinam. 

Seria contraditório demais. 
De contraditórios já bastam meus sentimentos...